Você não sabia, mas isso é violência obstétrica

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Você sabia que proibir  você a ter um acompanhante durante seu parto é um tipo de violência obstétrica?

Privar você desse direito e submeter você a procedimentos desnecessários durante o parto são exemplos de desrespeito no trabalho de parto.

Existem muitas situações que muitas mulheres acham que é normal, que na verdade são consideradas violência obstétrica. Veja como se proteger no artigo abaixo.

Como são os partos no Brasil

A atenção ao parto e nascimento no Brasil vem sofrendo diversas mudanças para melhorar a assistência a mãe e ao bebê, garantindo a todas o acesso a humanização do parto

Essas mudanças estão ocorrendo para a redução da mortalidade materna e para acabar com os casos de violência obstétrica ainda presente em muitas instituições de saúde, o que podem gerar experiências traumáticas relacionadas ao parto. 

Em grande parte do país há um número excessivo de cesarianas.

As gestantes sequer são informadas dos benefícios do parto normal e dos riscos da cesariana a curto e longo prazo – para a mãe e o bebê – ao serem submetidas a essa cirurgia sem necessidade. 

Os interesses dos profissionais ou das instituições de saúde não podem estar acima do nascimento saudável ou dos direitos das gestantes.

O que é violência obstétrica?

A violência obstétrica nada mais é do que o desrespeito as mulheres durante o trabalho de parto, onde sua autonomia e seu direitos não são considerados. 

Além disso, frequentemente as condutas adotadas por alguns profissionais não são baseadas nas evidências científicas atuais e muitas mulheres sofrem total descaso. São agredidas verbalmente ou sofrem intervenções desnecessárias durante o trabalho de parto e não percebem que estão sendo vítimas de violência nesse momento.

Exemplos de intervenções desnecessárias: 

  • Exames de toque excessivos, 
  • Episiotomia de rotina (corte no períneo para “facilitar” a passagem do bebê ao nascer)
  • Cesariana sem indicação clínica (ou seja, realmente necessária)
  • Jejum no trabalho de parto
  • Manobra de Kristeller (empurrar a barriga para o bebê nascer)
  • Restrição de posição no trabalho de parto, 
  • Negligências no atendimento, 
  • Julgamentos, chacotas ou piadas, 
  • Omissão de informações importantes durante o acompanhamento da gestante, 
  • Restrição de acompanhante, 
  • Não deixar a gestante participar nas decisões do seu próprio parto, 
  • Separação da mãe e do bebê logo após o nascimento, 
  • Quebra de sigilo.

Diante de tantos partos violentos e que não colocam a mulher como protagonista do parto, a cesariana é vista como uma salvação ou como a opção mais segura. 

Assim, é preciso mudar o modelo de assistência obstétrica, para que todas as mulheres tenham acesso a informação de qualidade, tenham seus direitos respeitados, segurança em suas escolhas e acesso ao parto humanizado.

plano de parto

O que diz a Organização Mundial da Saúde (OMS)

Em 1996, a Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolveu uma classificação das práticas comuns na condução do parto normal, orientando para o que deve e o que não deve ser feito no processo do parto. 

Essa classificação foi atualizada em 2018. Você pode acessar essa versão clicando aqui

A OMS também se posicionou em 2014 sobre o tema e publicou o documento “Prevenção e eliminação de abusos, desrespeito e maus-tratos durante o parto em instituições de saúde” (veja aqui o documento completo)

Neste documento, ela declara que “toda mulher tem direito ao melhor padrão atingível de saúde, o qual inclui o direito a um cuidado de saúde digno e respeitoso”. 

Pesquisas recentes mostram que diversas mulheres sofrem violência obstétrica e, embora os maus tratos possam ocorrer em qualquer momento da gestação, as  mulheres ficam especialmente vulneráveis durante o parto. 

Práticas assim podem trazer um impacto bastante negativo para a mãe e o bebê. 

Ambos precisam estar livres de violência e discriminação e ter assegurado o seu direito de uma assistência respeitosa na gestação, parto e pós-parto.

É extremamente importante que toda a população seja orientada sobre o que é violência obstétrica.

Não só as gestantes, mas os acompanhantes, profissionais e demais pessoas envolvidas no processo.

Todos precisam ser sensibilizados e ter consciência da gravidade desse ato durante o parto. 

O que as instituições e os profissionais da saúde podem fazer?

As unidades de saúde devem oferecer à mulher um ambiente acolhedor e criar rotinas hospitalares que acabem com o isolamento imposto às gestantes. 

Também devem proporcionar à mulher as melhores condições e recursos disponíveis, para que se sinta acolhida e segura. 

Para isso, precisa passar informações claras sobre os procedimentos a serem realizados com prévio consentimento da mulher.

Os profissionais de saúde devem ter conduta ética e solidária, informar frequentemente a mulher sobre sua saúde, evitar intervenções desnecessárias e ouvir sua opinião sobre os procedimentos indicados, de forma clara. 

Além disso, precisam explicar a finalidade de cada intervenção, seus riscos e as alternativas disponíveis. 

A equipe que lhe acompanha deve ser apoio a você e seu acompanhante.

Devem monitorar com cuidado o andamento do trabalho de parto e os sinais vitais do bebê, além de prestar um atendimento digno, respeitoso e sem qualquer tipo de violência verbal, física ou psicológica.

Exemplos de violência obstétrica

Infelizmente a violência obstétrica é mais comum do que se imagina.

Vamos a um exemplo clássico: a Lei Federal 11.108, de 07 de abril de 2005, mais conhecida como a Lei do Acompanhante. 

Essa lei determina que todos os serviços de saúde são obrigados a permitir a gestante o direito de acompanhante de sua escolha no período de trabalho de parto, parto e pós-parto. 

No entanto, várias instituições de saúde não asseguram esse direito das mulheres.

Ainda impedem esse apoio a gestante em um momento de frequente insegurança e priva as famílias de presenciarem o nascimento conforme sonharam.

Assim, é importante que você e sua rede de apoio saibam o que é violência obstétrica.

Façam valer os seus direitos.

Denunciem casos em que se sentiram violentados durante seu parto.

A informação é o primeiro passo para tornar a humanização do parto uma realidade em todo o país.

Se estes direitos não forem respeitados, você deve entrar em contato com a Ouvidoria do Ministério da Saúde através do telefone 136.

A denúncia ajudará a evitar que situações assim ocorram com outras mulheres e você exerça sua cidadania para promover um parto respeitoso e digno a todas.

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