As 8 maiores dificuldades da amamentação e como resolvê-las

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Amamentar não é uma tarefa fácil. As maiores dificuldades da amamentação aparecem geralmente no início de vida do bebê e podem ser variadas. Esses desafios aliados ao cansaço fazem muitas mães desistirem de continuar.

Reunimos aqui as 8 dificuldades mais comuns que você pode enfrentar durante a amamentação e como lidar com cada uma delas. A intenção é ajudar você a passar por elas com serenidade e segurança.

Os primeiros passos

O primeiro critério para uma amamentação eficaz e duradoura, é colocar o bebê para mamar o quanto antes possível, de preferência ainda na 1ª hora de vida.

Os estudos mostram que quando o bebê amamenta na 1ª hora após o nascimento, maiores são as chances de manutenção do aleitamento.

É importante você combinar com o profissional que realizará seu parto e com o pediatra que irá recepcionar seu bebê sobre essa questão e ter o apoio do seu acompanhante nesse momento.

Ainda na gestação, você precisa receber apoio e ajuda centrados em suas dificuldades. Então, é importante que esse preparo com informações relevantes ocorram ainda no pré-natal, com a participação do seu acompanhante de escolha, além de outros membros da família, se você desejar. Assim, você terá maior tranquilidade e se sentirá mais confiante para amamentar.

Embora os estudos apontem a importância do aconselhamento no momento da amamentação, também é importante que o profissional que acompanha você identifique precocemente os possíveis fatores envolvidos no risco de insucesso do aleitamento. 

Procure uma consultora em amamentação ainda na gravidez para que esses fatores sejam identificados, para que você receba todas as informações necessárias relacionadas a amamentação e se prepare para esse momento junto a sua rede de apoio com total segurança e compreensão.

As consultoras em amamentação são profissionais, em sua maioria da área da saúde,  com o papel de informar e promover o aleitamento seguro e prazeroso, respeitando acima de tudo os sentimentos e decisões da mãe. 

No pós-parto, ela fará avaliação da pega correta do bebê, ajudará você a solucionar as fissuras mamárias, ingurgitamento mamário, prevenir complicações e orientar sobre cuidados com a mama, ordenha, relactação, baixa produção de leite, entre outras dúvidas que possam surgir.

Pega inadequada do bebê

A pega inadequada normalmente é a origem da maior parte dos problemas que podem surgir na amamentação, como dor ao amamentar e rachadura nos mamilos (fissuras). 

Os seguintes sinais são indicativos de técnica inadequada de amamentação: 

  • Bochechas do bebê encovadas a cada sucção; 
  • Ruídos da língua; 
  • Mama aparentando estar esticada ou deformada durante a mamada; 
  • Mamilos com estrias vermelhas ou áreas esbranquiçadas ou achatadas quando o bebê solta a mama; 
  • Dor na amamentação. 

Caso apresente algum desses sinais, é importante verificar se a pega está correta e pedir ajuda de um profissional o quanto antes para evitar complicações.

Tempo de descida do leite (apojadura)

A descida do leite pode demorar de 24 a 72 horas pós-parto. Nesse período, é comum suas mamas ficarem inchadas ou avermelhadas e um pouco doloridas (ingurgitamento fisiológico). 

Nos primeiros dias após o parto, a saída do leite é pequena (<100mL/dia), mas por volta do 4º dia, você será capaz de produzir, em média, 600mL de leite.

Se você manter a amamentação exclusiva, sem complementos (como fórmula, chás ou água), poderá produzir, em média, 900mL.

No início, suas mamas costumam produzir mais leite do que a quantidade necessária para seu bebê. Após algum tempo, suas mamas vão produzir exatamente a quantidade que seu bebê mama – por isso a importância de dar apenas seu leite ao bebê, em livre demanda, para que seu corpo se ajuste gradativamente a essa quantidade que ele precisa.

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Dor para amamentar

A dor pode surgir principalmente durante as primeiras semanas de amamentação. Pode ser ocasionada pelo mamilo rachado, mamas muito cheias e pela pega incorreta do bebê.

Sentir dor ao amamentar e ficar com os mamilos rachados não é normal e pode levar você a desmamar seu bebê muito cedo.

É importante que você fique numa posição confortável, em um ambiente tranquilo, coloque o bebê para mamar na posição certa (com cabeça e corpo alinhados), abocanhando maior parte da aréola (parte escura da mama) com boca em formato de peixinho. Se suas mamas estiverem muito cheias, lembre de massagear a mama antes de oferecer ao bebê.

Empedramento das mamas (Ingurgitamento mamário patológico)

O empedramento das mamas ocorre geralmente na 1ª semana após o nascimento do bebê.

Pode ocorrer pelos seguintes motivos:

  • pega incorreta
  • mamadas com horário pré determinados (exemplo: sempre de 3/3h)
  • controle do tempo de cada mamada
  • uso de fórmula (complemento) sem necessidade
  • demora em iniciar a amamentação após o nascimento
  • mal esvaziamento da mama pelo bebê
  • uso de bicos artificiais (como bico, chupeta, mamadeiras, protetores de mamilo).

Os sintomas geralmente são: inchaço das mamas, vermelhidão, dor e calor, podendo causar mal-estar e às vezes febre (não muito alta) na mãe.

Além disso, o bebê pode apresentar dificuldades de amamentar ou pode ter uma diminuição da saída do leite por causa do entupimento das glândulas mamárias.

Para melhorar, você pode fazer os seguintes procedimentos:

  • deixar a amamentação em livre demanda (na hora e pelo tempo que o bebê quiser)
  • massagear as mamas e ordenhar o excesso de leite
  • usar compressas frias e usar sutiã adequado (alças largas e confortáveis).

Você pode também procurar a ajuda de uma consultora em amamentação para que ela identifique a causa do problema antes que ocorra complicações, como uma mastite.

Excesso de leite (hiperlactação)

Nas primeiras semanas, normalmente há uma produção de leite maior que o bebê necessita. 

O excesso de leite geralmente causa: 

  • desconforto nas mamas;
  • enchimento muito rápido após esvaziamento;
  • dor profunda em agulhada;
  • presença de áreas sensíveis, firmes e nodulosas;
  • dor intensa ao primeiro sinal de ejeção do leite;
  • vazamento constante de leite entre as mamadas;
  • engasgos frequentes do bebê ao mamar;
  • bebê desconfortável ao mamar
  • largando o peito com frequência durante as mamadas.

Para controlar a produção de leite, você pode amamentar em livre demanda, massagear e ordenhar as mamas para alivio e inclusive antes das mamadas para diminuir o fluxo de leite nas mamadas e colocar compressas frias. 

A produção de leite deverá ir se ajustando com o passar dos dias ao volume que o bebê mama. 

Você pode também aproveitar essa alta produção de leite para realizar doação do leite ordenhado para um banco de leite da sua região.

Normalmente, os bancos de leite vão a domicílio para dar orientações da forma correta de ordenha, do armazenamento e entrega do leite doado (geralmente buscam na sua casa).

Baixa produção de leite

A maior parte das mulheres produzem leite suficiente para atender a demanda do bebê.

O volume de leite produzido varia de acordo com a frequência de esvaziamento (pela sucção do bebê ou pela ordenha manual), ajustando a necessidade do recém-nascido.

Algumas condições especiais podem interferir nesse processo, como estresse, depressão pós-parto, demora na descida do leite, sucção ineficiente do bebê, pega incorreta, uso de bicos ou mamadeira, uso de complementos, restrição das mamadas, fumar no período de amamentação, entre outras questões.

Alguns sinais que podem indicar a baixa produção de leite: bebê choroso ou irritado logo após amamentar, ganho de peso insuficiente, pouco xixi durante o dia (menos de cinco vezes), sinais de desidratação no bebê, fezes endurecidas.

Para aumentar a produção de leite você pode:

  • ajustar a pega do bebê;
  • suspender o uso de bico ou mamadeira;
  • amamentar em livre demanda (na hora e tempo que o seu bebê quiser);
  • deixar que o bebê esvazie a mama a cada mamada;
  • suspender o uso de cigarro, caso seja fumante;
  • repousar quando o bebê dorme;
  • conversar com o médico sobre a diminuição do uso do complemento e aumentar as mamadas;
  • pedir ajuda para ter maiores períodos de descanso;
  • aumentar o consumo de água;
  • ter uma alimentação equilibrada e diversificada;
  • investigar ou tratar com o médico alguma doença que talvez esteja interferindo na sua produção de leite (como diabetes, hipotireoidismo, problema na hipófise, etc).

Rachadura nos mamilos (fissura mamilar)

A principal causa de rachaduras nos mamilos é o mal posicionamento do bebê ao amamentar e consequente pega inadequada.

Os principais sintomas são dor e ardor nos mamilos. Ou seja, se você sente dor ao amamentar do início ao fim da mamada, algo está errado e precisa ser investigado. 

Você pode tomar algumas medidas para minimizar o problema, como: colocar o bebê para sugar de forma correta, massagear a mama antes a amamentar, alternar as posições das mamadas, manter os mamilos limpos e hidratados com o próprio leite materno após a amamentação (evite usar de sabonetes e cosméticos no local).

Outra dica é para quando for tirar o bebê do peito: tire-o de forma suave, usando o seu dedo mínimo no canto da boca do bebê, para não piorar a fissura. Se as dores persistirem ou aumentarem, procure uma consultora em amamentação ou o banco de leite para ajudar você a se recuperar e para ajustar a pega do bebê.

Mastite

A mastite é o processo inflamatório e\ou infeccioso das glândulas mamárias durante a fase de lactação da mulher, normalmente devido ingurgitamento mamário não tratado.

Os sintomas geralmente são: ingurgitamento mamário acompanhado de mal-estar, febre, dor, vermelhidão, calor, taquicardia (coração acelerado), náuseas, vômitos, dor de cabeça, calafrios. 

Existe a necessidade de tratamento do que causou o desenvolvimento da mastite (fissura, ingurgitamento), para que não haja falha do tratamento e retorno da doença.

 A mastite não traz riscos ao bebê, no entanto, essa situação exige uma avaliação urgente de um especialista, para que evite outras complicações.

Como melhorar: fazer o tratamento médico com remédios prescritos, repousar e contar com apoio emocional dos familiares e profissionais da saúde, massagem e esvaziamento das mamas, usar sutiãs de alças largas, aumentar a frequência das mamadas, se possível. Caso não consiga amamentar nessa mama, é importante fazer a ordenha até conseguir retornar a amamentação (vai depender do local onde está machucado).

Desafio superado

O aleitamento é realmente desafiador, não é mesmo? Para que sua caminhada seja mais fácil é fundamental ter o máximo de informações ainda na gestação e uma rede de apoio para esse momento: dos familiares, amigos e profissionais da saúde.

Lembre de sempre pedir ajuda a uma consultora em amamentação caso algo não esteja ocorrendo bem com você e seu bebê, para que essa profissional possa investigar certinho o que precisa ser ajustado. Você não precisa passar nenhuma dificuldade sozinha.

Enfermeiras obstetras são habilitadas para realizar consultoria em amamentação. As consultorias geralmente são domiciliares e a quantidade de sessões será combinada em cada caso, respeitando a individualidade e as necessidades de cada família. O valor da consultoria varia entre profissionais, mas o investimento vale a pena. 

Além disso, confie no seu corpo, você é capaz de amamentar. Com auxílio, a fase difícil logo irá passar, você vai sentir total prazer em amamentar e vai poder curtir todos os benefícios dela para você e seu filho.

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